O tema apareceu no feed da Dra. Mary porque é uma dúvida cada vez mais comum: pessoas em tratamento para obesidade ou diabetes percebem aumento da queda e concluem que a “caneta” é a causa. A evidência atual pede mais cuidado com essa conclusão.
O que sabemos até agora?
Relatos de queda de cabelo foram observados em pessoas usando agonistas do receptor de GLP-1 e medicamentos relacionados, como semaglutida e tirzepatida. Estudos de farmacovigilância e coortes levantaram um possível sinal de associação, mas ainda não demonstram que o medicamento, sozinho, cause a queda em todas essas situações.
Em outras palavras: a queixa é real e merece atenção, mas ainda não é correto dizer que toda queda durante o tratamento é um efeito direto da medicação.
A perda rápida de peso pode participar
Uma explicação possível é o eflúvio telógeno, uma queda difusa que pode surgir alguns meses depois de um estresse para o organismo. Perda importante de peso, redução brusca de calorias, doença, cirurgia e outras mudanças metabólicas podem empurrar mais fios para a fase de queda.
Velocidade de emagrecimento, alimentação, reservas de ferro, doenças associadas e predisposição capilar variam muito de uma pessoa para outra.
Nem toda queda é eflúvio telógeno
A queda também pode coincidir com alopecia androgenética, alopecia areata, alterações da tireoide, deficiência de ferro, inflamação do couro cabeludo ou outros quadros. Atribuir tudo à medicação pode atrasar um diagnóstico que teria manejo diferente.
Mais cedo se houver
- falhas arredondadas ou áreas sem cabelo;
- afinamento progressivo da risca ou das entradas;
- queda com dor, ardor, descamação intensa ou feridas;
- perda de sobrancelhas ou cílios;
- queda persistente por meses ou grande perda de volume.
É preciso parar a medicação?
Não por conta própria. Medicamentos para obesidade e diabetes têm indicações e benefícios que precisam ser pesados pelo médico responsável. Se a queda começou durante o tratamento, o melhor caminho é comunicar quem prescreveu e fazer avaliação dermatológica quando necessário.
Também não é indicado começar suplementos em altas doses “para compensar”. O excesso de alguns nutrientes pode não ajudar e, em alguns casos, piorar a queda.
O que dizem as revisões recentes?
Uma revisão sistemática de 2025 encontrou resultados conflitantes. Um comentário científico de 2026 reforçou que a maior parte da evidência vem de farmacovigilância e estudos retrospectivos e apontou a perda rápida de peso como mecanismo plausível para eflúvio telógeno.
De onde veio a pauta?
Este artigo foi desenvolvido a partir do post visível no Instagram da Dra. Mary sobre “uso de canetas emagrecedoras” e tratamento capilar. A parte médica foi ampliada com literatura científica atual.
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Informação ajuda a escolher o próximo passo com mais segurança.
Se a mudança está persistindo, piorando ou causando preocupação, uma avaliação dermatológica pode ajudar a entender a causa antes de testar novos produtos ou tratamentos.
Falar com a equipeImportante: este conteúdo é informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica.
